O Prisioneiro da Grade de Ferro (Auto-retratos)
Direção: Paulo Sacramento
Brasil, 2003, 118'
Um ano antes da desativação da Casa de Detenção do Carandiru, em São Paulo, que foi a maior prisão da América Latina, detentos aprenderam a usar câmeras de vídeo em um curso de filmagem ministrado dentro do presídio. Durante sete meses, documentaram seu cotidiano atrás das grades, marcado por superlotação das celas. Eles expõem e divulgam suas regras internas, castigos, entretenimento, armas, morte, drogas, álcool, condições de vida, alimentação, vida sexual, religião, credos, famílias, esperanças e sonhos... A implosão do prédio acontece 10 anos após o Massacre do Carandiru, quando o Estado assassina 111 presos no local. [expandir para ver mais]
Este premiadíssimo documentário é um perfeito complemento para o sucesso popular de Carandiru, de Hector Babenco. O filme marca a estréia na direção de longa-metragem de Paulo Sacramento, ex-presidente da Associação Brasileira de Documentaristas seção São Paulo (ABD - SP) e produtor e montador de Amarelo Manga. O que é romanceado na adaptação que Babenco fez do livro investigativo Estação Carandiru, de Drauzio Varella, torna-se aqui realista, por se tratar da leitura que o diretor fez do livro homônimo do jornalista Percival de Souza, escrito em 1983. É um retrato preciso da realidade interna das prisões brasileiras, em especial porque, em boa parte do tempo, a câmera é entregue nas mãos dos próprios detentos, que registram seu cotidiano de forma íntima e autêntica. O sistema carcerário brasileiro é desnudado de forma clara e direta, sem intermediários. Desta forma, perambula-se pelos desafiantes corredores internos do presídio do Carandiru, desativado em 2002. É um retrato inteligente e no mínimo contundente sobre um mundo alheio à grande parte dos espectadores. Documento de insuspeita importância social, o filme de Sacramento é também um dos melhores trabalhos documentais do cinema da retomada.
Prêmios
Prêmio da Crítica: Melhor Documentário Longa Metragem em 35mm" do Festival de Gramado (2003)
Melhor Documentário: Competição Nacional e Internacional do Festival É Tudo Verdade (2003)
Prêmio Especial do Júri do Festival do Rio (2003)
Menção Honrosa do júri Festival Internacional de Cinema do Uruguai (2004)
Melhor Documentário do Festival de Málaga, Espanha
Melhor Documentário - Opera Prima, no Festival Internacional Latino-Americano de Cinema de Los Angeles, EUA
Melhor longa-metragem no Festival Internacional de Cinema de Leeds (Inglaterra)
Melhor Diretor estreante em longa-metragem concedido pela APCA -Associação Paulista dos Críticos de Arte (2004)
Melhor Diretor de Documentário - Opera Prima - no Tribeca Film Festival, EUA (2004)
Menção Especial no Future Filme Festival - Digital Award no Festival de Veneza, Itália (2003)
Medalha de Prata no Filmmaker Doc Film Festival, Milão, Itália (2003)
FILME:

