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A AMPARAR NA ACADEMIA
Pesquisas acadêmicas sobre a Amparar
2023 - Pós-Doutorado - Antropologia Social - Unicamp / Society of Fellows and Heyman Center for the Humanities (EUA)
Palavras-chave: ativismo; diferença; Estado; gênero; prisões; gênero e sexualidade.
Resumo: A pesquisa tem o objetivo de investigar as relações entre aprisionamento, ativismo e diferença no contexto estadunidense. A proposta é a de acompanhar ações de pessoas que se identificam como "familiares de presos" ou como "egressos" das prisões e que invocam sua experiência com o cárcere de modo a ocupar espaços no debate público e no ativismo em torno das prisões. Os deslocamentos e articulações produzidos por "familiares" são um meio de descortinar relações, categorias e sujeitos que se constituem nas redes ativistas. A hipótese é a de que marcadores de diferença, tais como gênero e raça, são acionados como linguagens que traduzem a experiência de familiares e de egressos em ação política. A pesquisa segue contatos de ativistas e de associações conhecidas por meio do trabalho já existente junto à Amparar - Associação de Familiares e Amigos de Presas/os de São Paulo-SP, e propõe identificar outras associações e redes de familiares ativistas no contexto estadunidense. A proposta tem caráter etnográfico e acompanhará ações, debates, encontros e documentos produzidos no contexto das associações, material que será cotejado a uma revisão bibliográfica atualizada sobre o tema. Por fim, a pesquisa se valerá da afiliação institucional à Columbia University de modo a acompanhar as atividades da iniciativa Justice-in-Education, que oferece cursos vinculados à universidade para pessoas e comunidades afetadas pelo encarceramento. Parte dos scholars envolvidos no projeto estão também articulados a iniciativas organizadas por familiares e egressos das prisões.
2022 - Artigo - Antropologia Social
Palavras-chave: Democracy; Cultural aspects, Populism; Government and politics, Social movements, Community organization; Citizen participation (do livro "Transatlantic crises of democracies: cultural approaches").
Resumo: Natália Bouças do Lago offers a timely ethnographical piece on the works done by an association of friends and family members of incarcerated people in São Paulo (AMPARAR) in light of the COVID-19 pandemic. In her work, she showcases the different challenges experienced by this group of activists, who not only must continue to struggle to make ends meet, but also keep their organization afloat in order to help and assist more families. *Texto extraído da introdução do livro "Transatlantic crises of democracies: cultural approaches".
2021 - Dissertação de Mestrado - Direito - USP
Palavras-chave: familiares de pessoas presas; criminologia crítica; violência institucional; reprodução social; ativismo.
Resumo: A pesquisa proposta almeja compreender os principais significados do protagonismo de mulheres familiares de pessoas presas especialmente nas esferas da violência institucional, da economia, por meio do abastecimento e da movimentação gerada sobretudo pelo jumbo e das estratégias coletivas de insurreição contra as opressões vivenciadas. Com amparo nos ensinamentos da criminologia crítica no contexto latino-americano, da teoria da reprodução social e nas lições sobre os movimentos sociais contra a violência estatal, o texto demonstra como a relação imbricada entre capitalismo, racismo e patriarcado informa a atuação massiva de mulheres negras e pobres frente ao encarceramento de seus parentes. Para tanto, foi investigada a percepção das mulheres familiares sobre os impactos materiais e subjetivos da interação com o cárcere, apurando as dinâmicas institucionais envolvendo a atuação de grandes contingentes de mulheres que penetram no território prisional. Por fim, compreende as mulheres familiares de pessoas presas enquanto sujeito político potente para as resistências e lutas por direitos, sobretudo por meio da atuação de movimentos sociais como a Associação de Amigos e Familiares de Pessoas Presas, a AMPARAR.
2021 - Dissertação de Mestrado - Segurança Cidadã - UFRGS
Palavras-chave: relações familiares; sistema prisional; visitas; Brasil; Rio Grande do Sul.
Resumo: O Brasil é um país que prende muito. Existem muitas pessoas enredadas pela prisão, para além daquelas que estão de fato encarceradas. O texto versa sobre as trajetórias e as adversidades enfrentadas por familiares de apenados que os visitam em estabelecimentos prisionais nos dias de visita. O trabalho retrata quatro unidades penais localizadas no estado do Rio Grande do Sul, onde a pesquisa de campo da autora foi aplicada. Realizada a partir de um questionário criado com o objetivo de entender o perfil do preso visitado, o perfil dos visitantes de cada uma das quatro casas prisionais, bem como a relação dessas pessoas com seu familiar segregado, a pesquisa foi aplicada presencialmente pela autora junto ao público entrevistado – familiares visitantes – durante a fila de espera na porta dos presídios em dias de visita. Os resultados empíricos da pesquisa mostraram que o encarceramento de um integrante da família provoca uma reação em cadeia no âmbito pessoal, e a prisão acaba por atravessar a vida de inúmeras pessoas que não se encontram concretamente presas. Além da ausência física do integrante familiar, a prisão impõe uma reorganização na vida desses visitantes, uma reestruturação nas relações que atinge âmbitos emocionais, econômicos e profissionais. Ao final foram propostas três políticas públicas visando impactar positivamente a vida do público pesquisado.
2021 - Livro - Public Policy - Harvard University, Massachusetts / Cambridge University Press
Palavras-chave: area studies; latin american studies; political sociology; politics and international relations; latin american government; politics and policy; comparative politics, sociology.
Resumo: In countries around the world, from the United States to the Philippines to Chile, police forces are at the center of social unrest and debates about democracy and rule of law. This book examines the persistence of authoritarian policing in Latin America to explain why police violence and malfeasance remain pervasive decades after democratization. It also examines the conditions under which reform can occur. Drawing on rich comparative analysis and evidence from Brazil, Argentina, and Colombia, the book opens up the “black box” of police bureaucracies to show how police forces exert power and cultivate relationships with politicians, as well as how social inequality impedes change. González shows that authoritarian policing persists not in spite of democracy but in part because of democratic processes and public demand. When societal preferences over the distribution of security and coercion are fragmented along existing social cleavages, politicians possess few incentives to enact reform.
2020 - Artigo - Antropologia Social
Palavras-chave: prisão; ativismo; mães; família; gênero.
Resumo: O artigo aborda as ambiguidades dos lugares ocupados pelas mães e familiares a partir de limites e possibilidades de agenciamento no ativismo em torno das prisões. Discuto a atuação de mães em uma associação de familiares de presos chamada Amparar, com sede em São Paulo, seguindo os trajetos de Railda Alves, uma de suas fundadoras. A Amparar existe desde 2004 e desenvolve suas atividades em articulação com outras organizações que atuam no campo dos Direitos Humanos. O reconhecimento como mãe de preso e a enunciação tanto da potência do vínculo materno quanto do sofrimento dele decorrente fazem parte das negociações que envolvem o diálogo e o trabalho em rede com outras organizações, ativistas e instituições estatais. A figura da mãe permite a participação em determinadas atividades e a construção de trajetórias ativistas, mas opera também como limitadora em contextos que envolvem, sobretudo, as negociações com o Estado.
2019 - Tese de Doutorado - Antropologia Social - USP
Palavras-chave: gênero; prisão; família; agência; ativismo.
Resumo: Esta tese trata de mulheres que circulam pela prisão como familiares de presos, que vivem suas vidas e desenvolvem seus projetos em meio a tensões de múltiplas ordens que têm a prisão como seu fulcro. Abordo a prisão através das possibilidades imaginadas a partir dela e dos limites impostos pela instituição prisional em regras, relações e intervenções. Segui os agenciamentos dessas mulheres, assim como seus limites, as desigualdades e a produção de diferenças entre mulheres marcadas pela prisão. A tese articula três diferentes contextos etnográficos: i) a fila de visitas da prisão e uma hospedaria para mulheres de preso em uma cidade do interior paulista aqui chamada de Tamara; ii) as atividades da associação de familiares de presos Amparar, localizada em São Paulo-SP; e iii) os debates sobre a prática da revista íntima, a denúncia de seu caráter vexatório e as disputas em torno de sua proibição que envolveram ONGs, movimentos de Direitos Humanos, legisladores, defensores públicos, familiares de presos e os próprios prisioneiros. Os contextos etnográficos foram desvelados a partir de narrativas de mulheres de preso e de mães e familiares de preso que descrevem tensões e violações que atravessam suas vidas e corpos nas relações com a prisão e que também dão ensejo aos seus esforços de caminhar por entre as tensões. Seus agenciamentos e as regulações nos arredores da prisão operam a partir de convenções de gênero que fazem emergir modos de ser mulher de preso, de ser mãe de preso e de ser movimento de familiares.
2018 - Artigo - Antropologia Social
Palavras-chave: prisão; gênero; humilhação.
Resumo: O trabalho discute a atuação de uma associação de familiares e amigos de presos chamada Amparar. Localizada em São Paulo, a associação é coordenada por Railda Silva, cuja trajetória ativista teve início na privação de liberdade de seu filho na antiga Febem e, posteriormente, no sistema prisional. A etnografia se desenvolve nas atividades da associação e no acompanhamento das articulações mobilizadas por essas atividades. O trabalho da Amparar se insere em um emaranhado institucional que inclui organizações não-governamentais e instituições públicas que produzem tanto um Estado violador quanto um Estado a quem se reivindica direitos e garantias. Estado é, aqui, uma categoria nativa que organiza e direciona as interlocuções produzidas por Railda e pela Amparar. As narrativas das familiares que se articulam por meio da associação falam sobre as situações impostas a quem lida com a prisão desde o lado de fora, atravessando-a, mas também contam sobre situações vivenciadas pelos maridos e filhos presos. A dimensão profundamente relacional do lugar ocupado por essas mulheres e seus relatos se inscreve na linguagem de gênero. Afinal, nos espaços que ocupam – tais como reuniões com defensores públicos, debates e mobilizações sobre prisões – elas são familiares (de presos): pessoas que não estão presas, mas que lidam com a instituição prisional e se movimentam através dela e de seus dispositivos – a espera nas filas, os procedimentos de entrada e saída das prisões, a emissão de documentos. A Amparar e as familiares dão nome e corpo às denúncias, e identificam violências e humilhações perpetradas não só em seus corpos, mas no de seus maridos e filhos privados de liberdade. Gênero e sexualidade são linguagens que permitem a identificação dessas violações e que contribuem para que as mulheres produzam um lugar de mediadoras e relatoras de eventos ocorridos no interior das prisões.
2008 - Tese de Doutorado - Ciências Sociais - Unicamp
Palavras-chave: política; violência; periferias urbanas; favelas; ação coletiva; espaços públicos.
Resumo: Esta tese trata, de um modo específico, da relação contemporânea entre as periferias de São Paulo e a política. Seu objetivo central é etnografar as fronteiras, densamente políticas, que se conformam entre as periferias da cidade e o mundo público. A categoria fronteira é mobilizada por preservar o sentido de divisão, de demarcação, e por ser também, e sobretudo, uma norma de regulação dos fluxos que atravessam, e portanto conectam aquilo que se divide. A pesquisa foi realizada em dois registros empíricos distintos: i) o estudo de trajetórias e da vida cotidiana de adolescentes e famílias de Sapopemba (um distrito da zona Leste de São Paulo), de perfis heterogêneos, que de modos distintos são marcados pela presença do “mundo do crime” em suas histórias; e ii) o estudo das rotinas do Centro de Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes “Mônica Paião Trevisan” (CEDECA), organização que procura mediar o contato entre estes adolescentes e o mundo público. A descrição das situações de campo procura desvelar o funcionamento dessas fronteiras: iluminar seus fluxos e tensões mais freqüentes, os interesses em disputa e os atores que as controlam. Onde há fronteira há conflito, ainda que latente. E, se ela pode ser disputada, é comum, sobretudo em sociedades muito hierárquicas, que a latência ceda lugar à violência. Tratar da relação entre as periferias urbanas e o mundo público, em São Paulo, significa hoje também discutir as relações entre política e violência. Do debate apresentado no corpo da tese, extraio três argumentos centrais: i) o da resignificação de matrizes discursivas fundamentais no universo social das periferias urbanas, tais sejam, família, trabalho, religião e projeto de ascensão social, que nutre o que chamo de “expansão do mundo do crime” nas periferias (como “marco discursivo” e parâmetro de “sociabilidade”, tanto quanto “criminalização”); ii) o da “expansão da gestão do social” nas periferias – no seu papel de mediação entre o universo dos adolescentes do bairro e a cena jurídico-política, onde se pretende fazer garantir seus direitos, o CEDECA e as organizações sociais das periferias se defrontam em suas trajetórias com o inchaço de suas rotinas de gestão, que se nutre da deficiência da rede de encaminhamentos externos dos casos atendidos, e que limita a tematização propriamente política de suas demandas (aquelas que visam à inserção de pautas e interesses dos adolescentes atendidos no debate público); iii) o da relação entre as diversas modalidades de violência social que transbordam das trajetórias estudadas e a violência política que se apresenta às trajetórias das lideranças do CEDECA sempre que, escapando dos limites impostos pela gestão e pelo crime local, conseguem agir politicamente. Nas notas finais, proponho a coexistência atual entre dois ordenamentos sociais nas periferias urbanas e em suas relações com a política. O primeiro é o código universalista da cidadania, e o segundo o código instrumental da violência, ambos constitutivos e necessários para a reprodução de um modelo de funcionamento institucional e social marcado pela manutenção de um mundo público formalmente democrático, e por uma dinâmica de distribuição dos lugares sociais marcada por extrema hierarquização.














